Quis se sentir

O frio na espinha lhe subiu tão rápido que congelou os sentidos.
A emoção do desconhecido lhe saboreava os olhos.
Entrar pela porta e se entregar ao mistério.
Mergulhar de vez na imensidão de outro mundo.
Sem medo de se afogar, mas com cuidado para não naufragar.
O gosto da coragem lhe subiu do estômago.
Entrou. Sorriu. Sentou e quis se sentir confortável.
Sem tirar os olhos, se derramou.
O calor no peito caiu como toneladas ao chão.
Se aquietou, sorriu e quis se sentir invisível.
Foi embora pela mesma porta, mas uma pessoa diferente.
Voltou-se para seu museu e guardou o sorriso dentro de uma cuba de vidro.
Se deitou, dessa vez não sorriu e quis se sentir inteiro.

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