A caça e o caçador

O caçador era atento, olhava com olhos fixos e vidrados.
Escolheu seu alvo, deixou que se aproximasse e se deleitasse em fantasias.
Não era sua culpa, só lhe deu o cenário. E um pouco de carinho.
A caça voltou pedindo mais, querendo mais, imaginando demais.
Ele então pegou sua arma e sem o menor cuidado deixou-a entrar em sua carne.
Uma lâmina fria que dava para sentir seu gosto enquanto ia mais fundo.
Era uma dor que não doía. Havia algo que o predador não sabia.
Não era para matar. A caça foi embora ferida, mas querendo voltar para seu algoz.
Um algoz com talentos singulares. Sua peculiaridade estimulava vontades.
Agora a caça aguardava o chamado, espreitando um plano sinistro e sem pudor.
Qual a lógica da moral e bons costumes?! A caça virou caçador.
Fingiu-se pálida e sem vida para sabotar a cena final do espetacular encontro com a morte.
O caçador comemorou e com um sorriso se virou para o espelho. A caça era ele mesmo.
Um frio lhe cobriu a espinha e aquele corpo que antes estava deitado no chão era agora o mesmo que lhe apresentava ser sua prisão.

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