A morte da culpa
A hora da verdade. A hora que todos temem: quando são descobertos. Uma sensação vem subindo da ponta dos pés até o último fio de cabelo. Medo e excitação se misturam num frenesi avassalador. O que dizer? Acusações vêm como flechas lançadas por um bom arqueiro: certeiras, precisas, afiadas. O que fazer? A vontade é correr, se esconder, sumir por algum tempo e ao voltar encontrar tudo como estava antes. Ah! A angústia, a raiva, a vergonha. O que pensar? Algumas perguntas e a única palavra pronunciada é a negação. Seus olhos correm pela sala buscando uma saída. Deparam-se com uma prisão. Quatro paredes cheias de vingança. Eles ainda não sabem de toda a história, então a única solução é simplesmente mentir. Alguns chamam de manipulação, ele de faceta da verdade. Pronto. O que está feito está feito. Eles acreditaram, pelo menos por algum tempo. Tempo suficiente para esconder ou apagar qualquer vestígio, tempo suficiente para ganhar tempo. À noite o que lhe restaria seria apenas a lembrança de que um dia tinha feito isso e com ela viria o peso de uma voz que o incitara a fazer o certo, mas que foi sufocada por um trago do seu tabaco preferido. Um longo silêncio, um longo suspiro, uma longa noite e enfim o nascer do sol, dizem que ele vem sempre com a expectativa de um novo começo. Era o que faria: começar tudo de novo. Parou para pensar no fim e não conseguiu encontrar uma forma de ter outro começo e decidiu de uma vez por todas que estava na hora de mudar de estratégia antes que a morte o tirasse do jogo. Contaria tudo a eles e selaria seu destino como alguém que consegue se arrepender a tempo, afinal a culpa o perseguira. Já era tarde demais, quando atravessou a rua tudo o que vira fora a verdade em forma de um filme passando pelos seus olhos.

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